sexta-feira, 26 de maio de 2017

A RESSURREIÇÃO DE BAAL E ASHERAH

Um grupo (ainda pequeno) de judeus de Israel está resgatando e incorporando elementos da antiga religião ugarítica e cananeia em suas práticas diárias. Alegam – citando Dt 33,2 – que Javé é uma divindade não israelita e que por isso deve ser rejeitada.

O fenômeno do neopaganismo no Israel moderno é discutido na obra: “Canaanite Reconstructionism Among Contemporary Israeli Pagans”, escrito por Shai Feraro.

Sobre as origens midianitas de Javé, vale conferir “A origem de Javé” (Thomas Römer,  Paulus, 2016).

Leia mais aqui.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 25 de maio de 2017

SIMONE DE BEAUVOIR E A AUTOMUTILAÇÃO FEMININA

Engatei a quinta marcha na leitura de “O segundo sexo” da filósofa francesa Simone de Beauvoir. No segundo volume Simone dedica-se a falar a respeito de alguns conflitos que atormentam meninas na fase da adolescência, sobretudo no período das primeiras menstruações.

Embora as automutilações sejam vistas por muitas pessoas como um fenômeno contemporâneo, Simone relata em detalhes os diversos casos com os quais teve contato ao longo de sua vida (o livro foi escrito na década de 40!). Para a autora muitos dos casos têm origem na negação da sexualidade. Eis o que ela diz:
Essas práticas sadomasoquistas são, ao mesmo tempo, uma antecipação da experiência sexual e uma revolta contra ela; é preciso, suportando essas provações, enrijecer-se conta toda a provação possível e assim torná-las toda anóditas [=menos dolorosas], inclusive na noite nupcial.
Difícil saber se Simone estava certa ou não. Certo mesmo é que pesquisas feitas por Robert Rosenthal, na década de 70, revelaram que 60% das inscrições corporais ocorrem no momento das menstruações.

Sobre a prática da automutilação na Idade Média, sob o manto da piedade, vale ler: “Papas y Putas: Historia Sexual del Cristianismo”, de Karlheinz Deschner e Oliver Tad.



Jones F. Mendonça

terça-feira, 23 de maio de 2017

A CONQUISTA DE JERUSALÉM: JUDÁ, JOSUÉ OU DAVI?

De acordo com 2Sm 5,4-5 Davi começou a reinar em Hebron aos 30 anos. Seu reinado nessa cidade teria durado 7 anos. Depois mudou sua capital para Jerusalém, cidade tomada dos jebuseus que acomodou sua corte pelos próximos 33 anos.

Curioso é que o autor de 1Sm 17,54 supõe que Jerusalém já era uma cidade israelita  na época de Saul: 
Davi apanhou a cabeça do filisteu e a levou a Jerusalém, e as suas armas ele as levou para a sua tenda.
Confuso, não?

Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo “Conquest of Jerusalem in the Bible: When and Who?”, publicado no The Torah e escrito pelo rabino Dr. Zev Farber.


Jones F. Mendonça

quinta-feira, 18 de maio de 2017

COLOFÃO E CONTRADIÇÃO EM JÓ

Jó 31,40 geralmente é traduzido como “encerraram-se as palavras de Jó” (o personagem só volta a falar em 40,3 num diálogo com Javé). O verso não é uma fala de Jó, mas uma interferência do redator (uma espécie de colofão). Curioso é que o verbo traduzido por “acabaram-se” (tamam) permite pelo menos duas traduções diferentes:

1. PERFEITAS [foram] as palavras de Jó (como em Jó 22,3;Sl, 19,13; 2Sm 22,26);
2. ANIQUILADAS [foram] as palavras de Jó (como em Jr 14,15; Sl 73,19).

A tradução “perfeitas foram as palavras de Jó” concorda com a fala de Javé em 42,7 “porque não falastes corretamente de mim, como o fez meu servo Jó”.

A tradução “aniquiladas foram as palavras de Jó” concorda com a fala de Javé em 38,1-40,2: “Quem é esse que obscurece meus desígnios...”.

O artigo completo, por Thomas M. Bolin, pode ser lido aqui:



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 30 de março de 2017

DAS COISAS MALDITAS E DAS COISAS SANTAS

Pergunta: como pode a palavra hebraica “hérem” ser traduzida num texto por "santa", “consagrada” e no outro por “maldita”, “anátema”, “condenada”? Veja:

Lv 27,28 Toda coisa CONSAGRADA (hérem) é coisa santíssima que pertence ao Senhor.

Js 7,1 Acã tomou [...] do ANÁTEMA (hérem) e a ira do Senhor se acendeu...

Simples: “hérem” significa apenas coisa “cercada”, “interditada”. A semelhança do termo com “harém” (de mulheres) não é por acaso. Harém - derivada do árabe - é lugar cercado, interditado, onde só entra o rei e aqueles que ele permite.

O termo hebraico “hérem” é lugar/coisa reservada para um uso religioso específico. Tal destino pode ser a destruição (como uma cidade = maldita) ou um utensílio do Templo (como arca sagrada = consagrada).



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 29 de março de 2017

PROFETISMO E ÊXTASE

Em 1Sm 18,10, com inveja de Davi, Saul “profetiza”(?!) após ser tomado pelo “espírito mau de elohim”. Sim, trata-se de uma passagem estranha. Em 19,24, agora tomado pelo “espírito de Elohim”, Saul: 1. “Profetiza” nu diante de Samuel; 2. Seu corpo desfalece e permanece no chão por toda a noite. Mais estranho ainda, não? Bem, em algumas Bíblias a leitura é confusa porque neste caso o verbo “naba’” (geralmente traduzido por profetizar) parece indicar uma espécie de “êxtase” ou “delírio” e não a proclamação de uma mensagem divina (como geralmente ocorre, p.ex. Jr 25,13).

Em 1 Sm 18 e 19 “nabá” é usado para indicar um sinal, uma evidência concreta da presença do espírito divino num indivíduo (como em 10,6-7, cuja função é a mesma em At 10,44-45). Este tipo de delírio por vezes aparece acompanhado de música, como em 1Sm 10,5 e 2Rs 3,15. Naba’ também é “êxtase” em Nm 11,25, texto que narra o fenômeno denunciado por um jovem a Moisés, ocorrido com Eldad e Medad.  Moisés repreende o jovem com as seguintes palavras: “Oxalá todo o povo de Javé fosse profeta, dando-lhe Javé o seu Espírito!” (mesmo desejo expresso em Jl 2,28). 

Aos interessados na relação entre profetismo e êxtase no Antigo Israel, sugiro a leitura do artigo: “Prophecy and Ecstasy: A Reexamination”, por Robert R. Wilson, publicado no Journal of Biblical Literature (para visualizar o artigo será preciso fazer um cadastro).



Jones f. Mendonça

quinta-feira, 23 de março de 2017

GUIA DE DEMONOLOGIA JUDAICA

Segue breve resumo de artigo publicado no Haaretz de Israel (Edição Premium, 21/03/17):

Tigelas desenterradas no Iraque revelam práticas judaicas criadas com o propósito de aprisionar demônios. Yad Yitzhak Ben Zvi, autor de um estudo sobre o assunto, explica que os judeus registravam na tigela uma imagem do demônio que desejam aprisionar, seu nome e inscrições como: “Você está banido e selado com sete selos e oito cordas”.

A representação feminina mais freqüente é a de Lilith, mostrada despida e com cabelo longo. Os judeus acreditavam que sua especialidade era a sedução e o assassinato de homens jovens e o estrangulamento de bebês no momento do nascimento. No setor masculino destacam-se Samael (Rei dos demônios) e Ashmedai, ambos representados com vestes persas. Muitos dos demônios aparecem atados com correntes, tal como nas representações assírias.


Jones F. Mendonça

JAVÉ SOBRE TOUROS E QUERUBINS

Teólogos judeus medievais apresentaram explicações diferentes a respeito do objetivo da construção do bezerro de ouro pelos israelitas no deserto tal como descrito em Ex 32. Exponho três delas: 1. Buscaram um deus alternativo (Rashi); 2. Um Moisés alternativo (um novo mediador) uma vez que imaginaram que seu líder havia morrido no monte (Ramban); e 3. Um novo pedestal sobre o qual Deus repousaria (Ibn Ezra). Leia mais aqui.  

Para Joel Baden, Professor de Bíblia Hebraica na Universidade de Yale, a declaração do povo diante da imagem: “Este é o teu Deus, ó Israel, o que te fez subir da terra do Egito” (Ex 32,4) e também a de Aarão: “Amanhã será festa para Javé” (32,5), revelam que o povo reconhecia a imagem como sendo uma representação de Javé e não de outra divindade. Leia mais aqui.

Frank Moore Cross pensou que o problema fosse iconográfico: Javé deveria ser retratado como entronizado acima de dois querubins (Ex 25,22), não sobre dois touros. Neste caso o problema não seria nem a idolatria (1º mandamento, cf. Ex 34,2), nem a construção de imagem de fundição representando a divindade (2º mandamento, cf, Ex 34,4), uma vez que seria mero pedestal, tal como os querubins acima da arca.

Um último texto publicado no TheTorah percebe no texto uma conotação política. Caso queira ler mais sobre a natureza dos querubins, veja aqui.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 8 de março de 2017

DAS DATAS SOLENES

Entenda: o Dia Internacional da Mulher não é “dia da mulher”, algo como: “Pô, parabéns por você ter nascido mulher”, mas “o dia da luta da mulher”. Assim como o Dia da Lembrança do Holocausto não é o "dia do holocausto", mas o dia reservado à reflexão sobre os horrores do nazismo. O propósito é o mesmo no Dia da Consciência Negra, data tão agredida pela zombaria barata.

As datas festivas, dizia Harvey Cox, são fios invisíveis eficazes na tarefa de resgatar do passado lembranças que merecem ser revividas. Comemorar é, nesse sentido, reviver. Reviver o nascimento. Reviver o casamento. Reviver até mesmo o luto e a tragédia. Reviver emoções que por alguma razão suplicam das profundezas por um lugar no mundo das coisas concretas.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

GENEALOGIA DO RESSENTIMENTO

1. O sujeito sofre pela perda de algo ou de alguém (do homem/mulher amada, de um bem, de prestígio, etc.);
2. Busca um culpado concreto para sua angústia (que jamais é ele mesmo!);
3. Nesse “culpado” descarrega seus afetos como alívio para suas dores e frustrações mais profundas;
4. Sonha com a vingança, faz acusações levianas, elabora planos perversos, navega embriagado em seus delírios.
5. Vicia-se nesse vaivém, nessa regurgitação, nesse narcótico para tormentos atrozes;

Pílulas de mórbido êxtase.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

500 ANOS DA REFORMA (FILME COMENTADO - CENA 1)



O pai, homem severo, queria que ele fosse advogado. Formou-se em 1505. Mas uma experiência aterrorizante durante uma tempestade – quase foi atingido por um raio – mudou o rumo de sua vida. Fez uma promessa a Santa Ana: caso sobrevivesse, se tornaria monge. Foi ordenado em 1507 contra a vontade do pai.

No mês seguinte, durante a celebração da primeira missa e contando com a presença do pai, Lutero foi tomado pelo terror: o vinho na taça elevado acima de sua cabeça tornava-se, segundo a crença católica, o sangue do próprio Cristo. Como nem as mais severas penitências eram capazes de fazê-lo sentir-se perdoado, não suportou o peso da missão.




Jones F. Mendonça

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O MANUSCRITO DE ASHKAR-GILSON

Fora os amuletos de Ketef Hinnon (séc. VI ou VII a.C.) e o papiro de Nash (séc. II a.C.), os mais antigos textos da Bíblia hebraica são os manuscritos do Mar Morto (250 a.C. a 68 d.C.), descobertos a partir de 1947 em 11 cavernas na região de Qumran. Cópias de todos os livros da Bíblia Hebraica foram encontrados nessas cavernas, exceto Neemias e Ester.

Versões mais completas da Bíblia hebraica, dotadas de sinais massoréticos (sinais que ajudam na vocalização do texto), foram datados para os séculos X e XI, como o Códice Alepo (mais antiga, porém incompleta = 930 d.C.) e o Códice Leningrado (menos antiga, porém mais completa = 1008 d.C.). A lacuna entre os Manuscritos do Mar Morto e os códices medievais cobre um período de quase mil anos.

Um manuscrito pouco conhecido e pouco citado em obras especializadas é o manuscrito Ashkar-Gilson, adquirido por um negociante de antiguidades de Beirute em 1972. Com base na datação do carbono 14 e na análise peleográfica, o manuscrito foi datado entre os séculos VII e VIII d.C., exatamente na chamada “era silenciosa”, período marcado pela escassez de manuscritos da Bíblia hebraica. 

Embora o fragmento tenha surgido há mais de quatro décadas, foi ignorado pelos estudiosos por muito tempo. Ele exibe o chamado cântico do Mar (Ex 13,19-16,1), redigido com extremo cuidado.  O poema foi copiado em um layout simétrico especial que lembra uma parede de tijolos, com dois espaços em branco nas linhas pares e um espaço em branco nas linhas ímpares. Cada espaço marca o fim de um cólon (uma pequena unidade poética que deve ser cantada em uma só respiração). A importância deste layout reflete-se no fato de que ele é reproduzido em cada rolo de Torah usado nas sinagogas de hoje.

O manuscrito Ashkar-Gilson era a fonte das tradições massoréticas mais tardias e autoritárias? Para conhecer uma resposta para esta e outras questões, leia o artigo completo “Missing Link in Hebrew Bible Formation”, por Paul Sanders, publicado no Journal Hebrew Scriptures.



Jones F. Mendonça

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

QUANDO FOI ESCRITA A BÍBLIA HEBRAICA?

Um estudo chefiado por Israel Finkelstein, da Universidade de Tel Aviv, indica que a alfabetização em Judá na Idade do Ferro (1200-600 a.C.) era mais difundida do que se pensava, sugerindo que os textos bíblicos hebraicos podem ter sido escritos no período pré-exílico (antes de 587 a.C.). 

Leia aqui:

Mas Christopher Rollston, Professor Associado de línguas e literaturas do Semi-Noroeste da Universidade George Washington, diz que é preciso evitar conclusões precipitadas.


Seus argumentos podem ser lidos aqui:


Jones F. Mendonça

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

LUTHER KING E O ÉDEN RESTAURADO


“Eu olhei de cima e vi a terra prometida” (Trecho do último discurso de Martin Luther King, em 03 de abril de 1968). Luther King foi assassinado no dia seguinte.

A tela acima, obra de Horace Pippin (1945), ilustra o Éden Restaurado, tal como descrito em Is 11,4-5. 

Leia mais sobre a tela no Art & Theology


Jones F. Mendonça

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

AS CHAMAS DA HANUKKAH JUDAICA E O ZOROASTRISMO PERSA

Publicado no Guemara.com, o artigo “The Development of theChanukah Oil Miracle in Context of Zoroastrian Fire Veneration” examina a influência do zoroastrismo persa na tradição judaica do Hanukkah (Dr Chai Secunda, via TheGuemara.com). Seguem dois trechos: 
“é possível que a veneração zoroástrica do fogo tenha criado um clima geral de respeito pela santidade das chamas. Talvez isso tenha encorajado algumas das tendências do Bavli [Talmud Babilônico] em relação à santidade das luzes da Hanukkah, que se aproximam da veneração das velas ardentes”.
[...]

“uma história milagrosa sobre o fogo no Templo pode ter repercutido particularmente bem entre os judeus da Babilônia, que viviam em um mundo de templos de fogo e veneração ao fogo”.

Jones F. Mendonça

domingo, 15 de janeiro de 2017

JESUS PANTOCRATOR NA ARTE MEDIEVAL


A imagem acima mostra um Jesus pantocrator (Ap 1) num manuscrito do século XIII ou XIV: “cabelos brancos como a neve, olhos como chama de fogo, pés com aspecto de bronze, espada saindo da boca, sete estrelas na mão direita junto a sete candelabros de ouro”. O homem deitado é João. Um anjo aparece à direita (Commentaire sur l'Apocalypse, folha 4v.).

Imagens do manuscrito em alta resolução aqui:



Jones F. Mendonça

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ARTE CRISTÃ NO IRÃ DOS AIATOLÁS


O inferno (detalhe inferior) num afresco que decora a catedral Vank, na cidade de Isfahan, no coração do Irã. A catedral foi fundada em 1606 por cristãos armênios em busca de uma nova vida no país persa durante a guerra otomana (1603-18). Os iranianos-armênios têm dois assentos no Parlamento iraniano (Majlis).



Jones F. Mendonça

TRINDADE TRICÉFALA


Representação medieval da Trindade (trindade tricéfala). O sinal com a mão não é um "v" de vitória, mas um sinal de bênção. Esta representação da trindade foi proibida por Urbano VI no século XVII.

Imagem: Trindade Tricéfala, detalhe da letra capittular "C" de um cantoral italiano, séc. XV, The Morgan Library & Museum, Nova Iorque. 



Jones F. Mendonça

MIGUEL E MARGARIDA CONTRA O CAOS


Ao lado da imagem de Miguel lutando contra o Dragão (Ap 12,7), a iconografia medieval desenvolveu esta representação, mostrando Santa Margarida de Antioquia golpeando um demônio com um martelo. Bizarro, não?

A imagem é um detalhe da tela: “Casamento Místico de Santa Catarina”, Barna da Siena, 1340.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SOB A IRA DE QUEMÓS

A estela moabita [ou estela de Mesha), datada para 830 a.C., registra a conquista de Moabe por Omri, rei de Israel (1Rs 16,23). A estela justifica a derrota de Moabe para Israel (ver 2Rs 3,4-27) com o seguinte argumento: 
No que toca a Omri, Rei de Israel [Setentrional], este humilhou Moabe durante muito tempo, porque Quemós estava irritado com sua terra.
Para saber mais sobre Quemós, principal divindade adorada pelos moabitas (Salomão construiu um altar para Quemós, em 1Rs 11,7), leia este artigo publicado no ASOR Blog.



Jones F. Mendonça

DISPUTAS NO MOVIMENTO DE JESUS

Fiz um pequeno resumo do mais recente artigo publicado no The Bible and Interpretation, por Robert Crotty: 
Dentre as diversas formas do movimento de Jesus, o cristianismo romano foi o que mais se expandiu. Ele eliminou outras formas do movimento de Jesus e dispensou um esforço especial, mais enérgico, para controlar o cristianismo gnóstico.  O interesse de Constantino estava no primeiro e não queria a dissidência cristã dentro do cristianismo romano ou fora dele.
O cristianismo ocidental, o cristianismo oriental, o cristianismo reformista, o cristianismo não-conformista, o cristão pentecostal são todos cristãos romanos. Eles são mais parecidos do que diferentes. Todos eles seguem o modelo cristão romano.



Jones F. Mendonça

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A ARQUEOLOGIA E O DEBATE SOBRE O REINO DE JUDÁ

Os dois portões de Qeiyafa. 
Alguns estudiosos (rotulados como minimalistas), como Philip Davies, visualizam Judá no período davídico como uma sociedade agrária simples, pouco habitada, sem cidades fortes, nenhuma administração e ainda sem domínio da escrita. Yosef Garfinkel (classificado como maximalista) argumenta que Davi e Salomão governaram um estado judaico bem urbanizado e bem organizado no século X a.C. Quem tem razão?

A descoberta de uma segunda porta na cidade de Khirbet Qeiyafa (a Sha'arayim bíblica?, cf. Js 15,36; 1Sm 17,51; 1Cr 4,31), 20 kilômetros a sudeste de Jerusalém, tem colocado muita pimenta neste debate. Garfinkel e Saar Ganor, arqueólogos que trabalham nas escavações de Qeiyafa, acreditam que há evidências suficientes para demonstrar que o Reino de Judá era maior e mais avançado do que alguns estudiosos acreditariam.


Quer saber mais? Leia um resumo da matéria publicada na BAR de jan/2016:


Jones F. Mendonça


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

NOVO ARTIGO SOBRE OS FILISTEUS NO ASOR

O site da ASOR publicou novo artigo sobre os filisteus, por Jeffrey P. Emanuel. Segue trecho:
A transição da Idade do Bronze para o início da Idade do Ferro, após 1200 a.C., foi um período de grandes mudanças em torno do Mediterrâneo Oriental. Os palácios micênicos e o império hitita entraram em colapso, cidades importantes como Ugarit, um porto-chave na costa da Síria, foram destruídas, os povos migratórios estavam em movimento e o Egito começou seu declínio do Reino Unido unificado para o Terceiro Período Intermediário, quando foi governado por dinastias da Líbia e Núbia. Os filisteus, como os israelitas da narrativa bíblica, estavam entre os grupos em movimento, chegando a Canaã no final do segundo milênio a.C. e estabelecendo sua “pentápolis”, formada pelas cinco cidades importantes de Asdode, Asquelom, Gaza, Ecrom e Gath (Josué 13, 2-3).

Jones F. Mendonça